
Paul McCartney diz que John Lennon podia ser “um completo idiota” — e depois explica por que tinha motivos para ser meio louco
Durante a exibição de “Man on the Run”, Paul voltou aos anos que seguiram o fim dos Beatles e falou sem santificar o amigo: lembrou as brigas, a irreverência, as perdas que Lennon carregava desde menino e a paz que os dois conseguiram fazer antes de 1980
Mr. Nomad
PAUL McCARTNEY ACABOU DE CHAMAR JOHN LENNON DE IDIOTA.
Pronto.
Agora imagina a internet funcionando.
😂
Recorta a frase.
Coloca uma fotografia dramática.
Escreve:
PAUL McCARTNEY DETONA JOHN LENNON
Acrescenta alguma coisa sobre uma “revelação bombástica”.
Publica.
Espera o clique.
🍕🙄
Só tem um pequeno problema.
A HISTÓRIA É MUITO MELHOR QUE ISSO.
Porque Paul realmente disse que John podia ser “um completo idiota em certas coisas”.
Só que não estava fazendo uma lista de desafetos.
Não estava tentando destruir a memória de Lennon.
E muito menos apareceu, mais de quatro décadas depois da morte do amigo, para acertar uma conta atrasada.
Paul estava fazendo algo bem mais interessante:
LEMBRANDO JOHN LENNON COMO SER HUMANO.
Com genialidade.
Contradições.
Traumas.
Raiva.
Humor.
Afeto.
E capacidade de ser um idiota.
Como seres humanos costumam ser.
TUDO COMEÇOU COM “MAN ON THE RUN”
Durante uma exibição em Los Angeles do recém-lançado filme Man on the Run, Paul McCartney conversou com o cineasta Judd Apatow.
O assunto inevitavelmente voltou ao começo dos anos 1970.
E aquele período tinha um pequeno detalhe:
OS BEATLES TINHAM ACABADO.
Tenta colocar isso em perspectiva.
Não era simplesmente:
“Minha banda terminou. Vou começar outra.”
Era Paul McCartney tentando descobrir o que fazer depois de:
THE BEATLES.
Boa sorte com a próxima terça-feira.
😂
PAUL ESCOLHEU O WINGS
Depois dos Beatles, McCartney começou a construir outra história com o Wings.
E, segundo ele, John Lennon talvez esperasse algo diferente.
Algo mais profundo.
Mais carregado.
Talvez uma resposta artística de outra natureza àquele momento.
Paul?
Estava em outra.
Ele definiu sua atitude naquele período como:
IRREVERENTE.
E aí chegamos à frase que provavelmente vai correr mais rápido que todo o contexto.
“ELE PODIA SER UM COMPLETO IDIOTA”
Paul disse que sempre achou John muito legal.
E ainda acha.
Só que acrescentou:
JOHN PODIA SER UM COMPLETO IDIOTA EM CERTAS COISAS.
😂
Pronto.
Já temos manchete para alimentar três dias de discussão.
Só que Paul continuou falando.
E é justamente aí que a história começa.
PORQUE JOHN LENNON NÃO APARECEU PRONTO
McCartney voltou à infância do amigo.
E ela estava longe de ser simples.
Paul lembrou que o pai de John saiu de sua vida quando ele ainda era muito pequeno.
John cresceu praticamente sem conhecê-lo.
Segundo a lembrança de Paul, o pai só reapareceria depois que os Beatles já haviam alcançado a fama.
E havia outra pessoa absolutamente fundamental:
JULIA LENNON.
A mãe de John.
Paul fala dela com carinho.
John a idolatrava.
E então veio uma das experiências mais brutais de sua juventude.
Julia morreu após ser atropelada quando John ainda era adolescente.
AGORA JUNTA AS PEÇAS
Abandono.
Perda.
Raiva.
Angústia.
Um garoto tentando descobrir onde colocar tudo isso.
Depois:
música.
Beatles.
Fama numa escala praticamente impossível de compreender.
O mundo inteiro olhando.
Cobrança.
Relacionamentos.
Exposição.
Fim dos Beatles.
Mais cobrança.
E um sujeito que nunca foi exatamente conhecido por guardar opinião no bolso.
😂
Quando Paul diz que John tinha razões para ser “meio louco”, é disso que ele está falando.
Não é diagnóstico.
Não é desculpa para tudo.
É CONTEXTO.
E contexto é aquela coisa inconveniente que costuma estragar uma manchete maravilhosa.
🍕🙄
PAUL TAMBÉM LIGOU ISSO AO “GRITO PRIMAL”
A angústia de Lennon não ficou escondida apenas em entrevistas.
Ela entrou na música.
Entrou na maneira de escrever.
Entrou na maneira de cantar.
Entrou no trabalho solo.
Paul relaciona parte desse peso às experiências de John com a chamada terapia do grito primal.
Porque havia coisa acumulada ali.
Muita coisa para colocar para fora.
E talvez seja exatamente por isso que tentar transformar John Lennon numa estátua seja tão pouco interessante.
JOHN LENNON NÃO PRECISA VIRAR SANTO PARA CONTINUAR SENDO JOHN LENNON
Essa mania é estranha.
Quando um artista morre, começa uma espécie de limpeza histórica.
Tiram as contradições.
Tiram os defeitos.
Tiram as discussões.
Tiram as decisões ruins.
Polimos tudo.
Colocamos num pedestal.
E pronto:
PERDEMOS A PESSOA.
Paul está fazendo praticamente o contrário.
Ele pode dizer:
“John era muito legal.”
E também:
“John podia ser um completo idiota.”
As duas coisas podem existir simultaneamente.
Aliás...
NORMALMENTE EXISTEM.
😂
E QUEM ESTÁ FALANDO É PAUL McCARTNEY
Isso importa.
Não é alguém analisando Lennon cinquenta anos depois a partir de três entrevistas e uma biografia.
É o garoto que esteve sentado ao lado dele.
O parceiro de composição.
O colega de banda.
O amigo.
O adversário em algumas brigas.
Um dos poucos seres humanos na Terra capazes de compreender por experiência própria o que significava estar dentro dos Beatles.
Olha uma das fotografias.
Eles são praticamente dois moleques.
E ainda não sabiam completamente o tamanho da história que estavam construindo.
LENNON–McCARTNEY
Duas palavras que acabaram grudadas para sempre.
John Lennon.
Paul McCartney.
Separadamente, dois compositores extraordinários.
Juntos...
bom.
VOCÊ SABE.
😂
A parceria Lennon–McCartney virou uma das associações autorais mais importantes da história da música popular.
Só que parceria criativa não significa:
“Nós concordávamos sobre tudo e tomávamos chá sorrindo todas as tardes.”
Muito pelo contrário.
Personalidades diferentes.
Competição.
Admiração.
Discordância.
Provocação.
Ego.
Amizade.
Tudo misturado.
Talvez parte da força tenha vindo justamente daí.
E DEPOIS VEIO O FIM DOS BEATLES
Aí a mistura explodiu.
Os anos seguintes trouxeram críticas públicas.
Alfinetadas.
Músicas interpretadas como respostas.
Entrevistas.
Mágoas.
Aquela história que muita gente conhece apenas pelo resumo:
JOHN CONTRA PAUL.
Só que vida real raramente termina onde fica mais conveniente para a narrativa.
Porque os dois...
FIZERAM AS PAZES.
ISSO MUDA TUDO
John Lennon foi assassinado em Nova York em dezembro de 1980.
Não houve oportunidade para envelhecerem juntos.
Não houve Lennon aos 50.
Aos 60.
Aos 70.
Aos 80.
Não sabemos que música faria.
Não sabemos o que pensaria.
Não sabemos quantas vezes brigaria novamente com Paul.
😂
Não sabemos se fariam algo juntos outra vez.
E qualquer tentativa de responder vira imaginação.
Existe, porém, uma coisa que sabemos:
ELES NÃO TERMINARAM A HISTÓRIA COMO INIMIGOS.
A relação havia melhorado antes da morte de John.
Para Paul, isso evidentemente importa.
Muito.
E AÍ CHEGAMOS AO VÍDEO
Aqui eu não quero videoclipe bonito.
Não quero montagem histórica.
Não quero documentário explicando John Lennon.
Você trouxe exatamente o que essa matéria precisa.
JOHN LENNON NO PALCO.
Violão.
Microfone.
Ele.
🎬 JOHN LENNON — “IMAGINE” — LIVE — 1975
`
Assiste.
Em determinado momento ele mesmo diz:
“I’M A DREAMER.”
Pronto.
Não precisa colocar quinze parágrafos depois disso.
Deixa o homem cantar.
PORQUE AÍ APARECE A OUTRA METADE DE JOHN LENNON
O sujeito que podia ser difícil.
O sujeito que podia ser cruel.
O sujeito que podia ser contraditório.
O sujeito que Paul acaba de chamar, com a intimidade de quem o conheceu, de “um completo idiota em certas coisas”.
E também...
o compositor.
O músico.
O cara com um violão.
O sonhador.
AS DUAS COISAS CABEM NA MESMA PESSOA.
Essa é a matéria.
E É EXATAMENTE ESSE TIPO DE HISTÓRIA QUE QUEREMOS NA PASSPORT
Não:
JOHN LENNON ERA ISSO.
ou:
PAUL McCARTNEY REVELOU AQUILO.
Acabou.
Próxima.
Não.
PUXA O FIO.
Quem era John?
Por que Paul falou isso?
O que aconteceu entre os dois?
De onde vinha parte daquela angústia?
O que houve depois dos Beatles?
Eles fizeram as pazes?
E então:
coloca John no palco.
É assim que uma notícia vira porta para um arquivo inteiro.
E AÍ A MÁQUINA COMEÇA A FUNCIONAR
Essa matéria fala de:
John Lennon.
Leva para:
Paul McCartney.
Que leva para:
The Beatles.
Que leva para:
Wings.
Que leva para:
Imagine.
Que leva para:
música dos anos 1960.
Anos 1970.
Rock britânico.
Composição.
História.
Rádio.
Vídeo.
Arquivo.
Outra matéria.
Outro artista.
ISSO É CIRCULAÇÃO.
E é isso que a Passport quer construir.
Não uma coleção de páginas mortas esperando visita.
E O GOOGLE PODE VIR JUNTO
Claro que pode.
😂
Vamos facilitar o serviço:
John Lennon.
Paul McCartney.
John Lennon e Paul McCartney.
The Beatles.
Beatles.
Wings.
Man on the Run.
John Lennon Imagine ao vivo.
Imagine live 1975.
Lennon–McCartney.
fim dos Beatles.
John Lennon e Paul McCartney fizeram as pazes.
Julia Lennon.
Pronto.
🍕 pode anotar também.
😂
Agora voltamos ao leitor.
PORQUE SEO SEM HISTÓRIA É SÓ PLACA NA ESTRADA
Você consegue colocar todas as palavras certas.
Pode estudar título.
Busca.
Termo.
Posição.
Algoritmo.
Pode fazer uma engenharia linda.
Só existe uma pergunta inconveniente:
QUANDO O SER HUMANO CHEGAR, ELE VAI QUERER CONTINUAR LENDO?
É aí que o jogo muda.
Não queremos apenas que alguém encontre a Passport.
QUEREMOS QUE ABRA OUTRA PORTA.
E outra.
E outra.
Chegou por Lennon?
Talvez encontre Alice Cooper.
Depois Nenhum de Nós.
Depois Björk.
Depois Racionais.
Depois BLACKPINK.
Depois Crypta.
E de repente aquela pessoa que entrou para ler uma frase de Paul McCartney está ouvindo uma banda brasileira que nunca conheceu.
AÍ A MÁQUINA FUNCIONOU.
😎🔥
TEMOS RÁDIOS PARA CONTINUAR ESSA HISTÓRIA
Terminou de ver John cantando?
Vai ouvir música.
Escolha um dos nossos bebês.
Faça um pedido.
Passe para outro.
Descubra alguma coisa.
John Lennon.
Beatles.
Rock.
Soul.
MPB.
Anos 60.
Anos 70.
O que aparecer.
A ideia não é manter você preso numa página.
É MANTER A MÚSICA ANDANDO.
E VOCÊ TAMBÉM PODE COLOCAR ALGUMA COISA NESSA MÁQUINA
Tem uma história sobre Beatles?
Manda.
Tem material antigo?
Manda.
Uma fotografia?
Uma memória de show?
Uma descoberta?
Uma correção?
Uma entrevista esquecida?
MANDA.
Tem uma banda?
Demo?
Música gravada numa garagem?
Vídeo de ensaio?
Podcast?
Projeto independente?
Também.
ENQUANTO ALGUNS LUGARES CONSTROEM MUROS...
A GENTE PREFERE PORTAS.
A história pode ser de John Lennon.
Pode ser de BLACKPINK.
Pode ser de Racionais MC’s.
Pode ser de Björk.
Pode ser de Crypta.
E pode ser de quatro desconhecidos ensaiando num quarto hoje que daqui a dez anos alguém vai jurar que “sempre soube que seriam grandes”.
😂
A Passport quer encontrar os dois extremos.
E SIM: APOIE ESSA DROGA
Porque transformar isso numa máquina custa.
Servidor custa.
Arquivo custa.
Ferramentas custam.
Infraestrutura custa.
Desenvolvimento custa.
Manter rádio, editorial, vídeos, podcasts e tudo conectado custa.
Quem puder ajudar financeiramente:
AJUDA PRA CACETE.
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R$ 0 DISPONÍVEL?
Continua conosco do mesmo jeito.
Leia.
Ouça.
Compartilhe.
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Faça pedidos.
Escreva.
Apresente artistas.
Espalhe uma matéria.
PARTICIPE.
Dinheiro ajuda a máquina.
Circulação também.
E talvez seja essa a coisa mais bonita daquela fala de Paul.
Depois de décadas de mitologia em torno dos Beatles, ele não precisa fingir que John Lennon era perfeito.
Pode lembrar do amigo inteiro.
O menino que perdeu a mãe.
O homem que carregou raiva.
O Beatle.
O parceiro.
O sujeito difícil.
O cara engraçado.
O compositor.
O idiota em algumas coisas.
O amigo com quem brigou.
E com quem conseguiu fazer as pazes.
Aí colocamos aquele vídeo de 1975.
John entra sozinho.
Violão.
Microfone.
“Imagine”.
E em algum momento:
“I’M A DREAMER.”
Talvez seja por isso que, quase meio século depois, continuamos discutindo John Lennon.
Não porque ele foi perfeito.
PORQUE ELE FOI HUMANO PRA CACETE.
E fez música que se recusou a ir embora. ❤️🔥