Klaus Meine
Vocal, guitarra e tamborim. A voz que atravessou todas as eras de estúdio do Scorpions.
A primeira graphic novel oficial da banda joga o Scorpions séculos no futuro. Mas a melhor parte dessa história ainda está aqui: cinco músicos que atravessaram décadas e continuam subindo ao palco como se idade fosse problema de outra pessoa.
Tem banda que chega aos sessenta anos e lança uma caixa comemorativa. Tem banda que remasteriza o catálogo. Tem banda que anuncia despedida. E tem o Scorpions, que aparentemente olhou para a Terra e pensou: “certo. Onde mais dá para tocar?”
A resposta é Venus-7.
Sim. Espaço. Nave. Outro planeta. E uma graphic novel oficial chamada Scorpions: Hurricane.
A obra terá 96 páginas coloridas, roteiro de Nathan Yocum, arte de Daniel Maine, cores de Fares Maese e letreiramento de Micah Myers. O lançamento está previsto para outubro de 2026 em parceria com a Sumerian Comics.
Na história, séculos no futuro, o Scorpions não faz mais turnê pelo mundo. Faz turnê pela galáxia. Uma das paradas é Venus-7, planeta conhecido pela maior festa de encerramento do universo.
Até aí, excelente.
O problema é que os músicos acabam capturados por uma sociedade tecnologicamente avançada de guerreiras decididas a manter seu mundo livre de homens. Resultado: a banda precisa escapar e voltar a tempo do próximo bis.
Depois de seis décadas de estrada, eu aceito qualquer desculpa para atraso. Trânsito? Não. Equipamento? Fraco. Voo cancelado? Já ouvimos.
“Fomos sequestrados em Venus-7.”
Aí eu espero.
E POR QUE INFERNO NÃO?
Klaus completou 78 anos em 2026.
E existe uma coisa quase ofensiva acontecendo com esse sujeito: a voz continua chegando.
Não estou falando de “para a idade dele está bom”. Essa frase já começa errada. Klaus não sobe ao palco para receber desconto geriátrico em nota musical. Ele sobe, abre a boca e continua carregando uma das assinaturas vocais mais reconhecíveis do hard rock.
No período de Blackout, problemas nas cordas vocais colocaram o futuro de Klaus como cantor em dúvida. Ele passou por tratamento e cirurgia, voltou e seguiu em frente.
Décadas depois, ainda está ali.
É por isso que, quando alguém fala de longevidade no rock, eu prefiro começar por sobrevivência.
Tem vocalista com metade da idade tentando convencer você de alguma coisa. Klaus Meine simplesmente canta.
A formação atual oficial reúne décadas de história, mudanças de geração e cinco funções muito claras dentro da máquina.
Vocal, guitarra e tamborim. A voz que atravessou todas as eras de estúdio do Scorpions.
Fundador, guitarrista e motor estrutural da banda desde o começo da história.
Na banda desde 1978, atravessou a explosão internacional e virou parte inseparável da linguagem de guitarras do grupo.
Baixista desde os anos 2000, segura o chão enquanto guitarras, bateria e voz passam por cima.
King Diamond, Motörhead e, desde 2016, Scorpions. Não foi contratado para deixar a relíquia intacta.
“Rock You Like a Hurricane” apareceu em Love at First Sting, de 1984. Décadas depois, é uma daquelas músicas que já não precisam de apresentação.
Tem música que você reconhece pelo refrão. Tem música que precisa da voz. Essa não.
O riff entra e acabou.
A própria biografia oficial do Scorpions registra que a música já recebeu mais de 150 versões de outros artistas. Isso acontece quando uma faixa deixa de pertencer apenas ao disco onde nasceu e entra no vocabulário do rock.
E talvez seja exatamente por isso que mandar o furacão para o espaço funcione.
A graphic novel traz o clique. O Scorpions faz você ficar.
Klaus Meine no microfone. Rudolf Schenker e Matthias Jabs nas guitarras. Paweł Mąciwoda no baixo. Mikkey Dee na bateria.
E ainda entra Phil Campbell, ex-Motörhead, para tocar “Rock You Like a Hurricane” no Hellfest 2022.
Depois me mostra onde estão esses “velhos cansados” que tanta gente espera encontrar quando lê a idade dos caras.
AUMENTA NO TALO.
Sem sorriso. Sem explicação. Sem pedir licença.
O Scorpions nasceu em Hannover em 1965. Atravessou os anos 70, explodiu nos 80, passou pelos 90, chegou ao streaming, às redes sociais e a 2026 com mais de 110 milhões de discos vendidos segundo a comunicação recente da banda.
Agora vai chegar a Venus-7.
Desculpa. Essa continua sendo boa demais.
Mas a graphic novel funciona porque existe uma história enorme sustentando a brincadeira. Rudolf ainda está ali. Klaus ainda está ali. Matthias atravessou quase toda a era internacional. Paweł já carrega mais de duas décadas de banda. Mikkey Dee chegou com uma vida inteira de peso nas costas.
Não precisam fingir que têm 25 anos.
Precisam fazer uma coisa só.
Ser Scorpions.
E aparentemente ainda sabem muito bem como fazer isso.
Próxima parada: Venus-7. 3... 2... 1... CLICK!
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