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Mr. Nomad · Roger Taylor · Queen · New Music

ROGER TAYLOR.
NÃO VIVE DO PASSADO.

Aos 77, o baterista, cantor, compositor e multi-instrumentista do Queen lança música nova, prepara seu sétimo álbum solo e lembra ao mundo que nunca foi apenas o homem sentado atrás de Freddie Mercury.

Roger Taylor em foto promocional de 2026 diante de um microfone vintage
Roger Taylor, 2026 — terno, chapéu, microfone e absolutamente nenhuma necessidade de parecer outra pessoa.

Roger Taylor poderia simplesmente parar.

Talvez essa seja a melhor maneira de começar esta história.

POR MR. NOMAD · 12 DE AGOSTO DE 2026

Aos 77 anos, depois de mais de meio século dentro de uma das maiores bandas que a música popular já produziu, Roger Taylor não precisa provar absolutamente nada.

Poderia passar o restante da vida administrando o gigantesco legado do Queen.

Poderia subir ao palco ocasionalmente com Brian May.

Poderia olhar para Wembley, Live Aid, os estádios, os discos, os prêmios, os milhões de pessoas e pensar:

“Está bom. Acho que já fiz o suficiente.”

Roger Meddows Taylor aparentemente não recebeu esse memorando.

Em 18 de setembro de 2026, ele lança pela Columbia Records seu sétimo álbum solo de estúdio:

Violence Insane In A Beautiful World.

E o título não é decoração.

É praticamente um diagnóstico.

UM MUNDO BONITO QUE PARECE DETERMINADO A SE DESTRUIR

O novo álbum nasce de uma contradição que incomoda Roger Taylor.

O planeta continua extraordinariamente bonito.

Nós é que parecemos empenhados em estragá-lo.

Guerras.

Violência.

Intolerância.

Plástico nos oceanos.

Destruição ambiental.

Ódio.

E aquela sensação profundamente desagradável de que alguma coisa saiu dos trilhos.

Mas Violence Insane In A Beautiful World não é simplesmente um disco de desespero.

Há esperança.

Há humor.

Há raiva.

E existe uma palavra que Roger considera cada vez mais necessária:

bondade.

Quem conhece apenas Roger Taylor sentado atrás da bateria talvez estranhe essa abordagem.

Quem conhece sua carreira solo não.

Taylor nunca teve grande talento para permanecer calado quando alguma coisa o incomoda.

“I SEE YOU NOW”

Roger Taylor continua olhando para frente

Entre as dez faixas do novo álbum está “I See You Now”.

O disco foi produzido pelo próprio Roger ao lado de seu colaborador de longa data Joshua J. Macrae.

E existe algo particularmente revelador nos créditos.

Em “I See You Now”, Roger aparece em:

I See You Now

Roger Taylor — lead vocals.

Roger Taylor — backing vocals.

Roger Taylor — bateria.

Roger Taylor — baixo.

Roger Taylor — guitarra elétrica.

Roger Taylor — piano.

Roger Taylor — teclados.

Joshua J. Macrae — teclados adicionais.

Agora podemos fazer uma pequena pausa.

Porque talvez seja hora de corrigir uma descrição que acompanha Roger há mais de cinquenta anos.

ESPERE. “O BATERISTA DO QUEEN”?

Sim.

Roger Taylor é o baterista do Queen.

Tecnicamente correto.

Artisticamente insuficiente.

Roger Meddows Taylor

Instrumento principal: bateria.

Também toca: baixo.

Guitarra elétrica.

Guitarra acústica.

Lap steel guitar.

Piano.

Teclados.

Percussão.

E canta.

Muito.

Os créditos do novo disco deixam isso quase obscenamente claro.

Em “A Beautiful World”, Taylor toca percussão, baixo, violão, lap steel e teclados.

Em “Violence Insane”, bateria, baixo, guitarra elétrica e teclados.

Em “Don’t Photograph Food”, bateria, baixo, guitarra elétrica e piano.

Em “Come On Summer”, bateria, baixo, guitarra elétrica, piano e teclados.

Em outras palavras:

Roger Taylor não escreve necessariamente como um baterista que depois entrega a música para a banda. Ele consegue pensar como a banda inteira.

Ritmo.

Baixo.

Harmonia.

Guitarra.

Voz.

Textura.

Arranjo.

A bateria é seu instrumento principal.

Nunca foi sua prisão.

E AQUELA VOZ?

Agora chegamos a uma das coisas mais deliciosamente injustas da história do rock.

Roger Taylor passou décadas cantando dentro de uma banda cujo vocalista era:

Freddie Mercury.

É quase uma sacanagem profissional.

Qualquer outro cantor colocado ao lado de Freddie estava condenado a viver perto de um eclipse solar.

Só que atrás daquele eclipse havia Roger.

E aquela voz era impossível de esconder.

Aguda quando precisava.

Rouca.

Rasgada.

Quase selvagem em determinados registros.

E absolutamente fundamental para parte das harmonias vocais que fizeram o Queen soar como Queen.

Algumas vezes Roger saiu detrás daquela parede.

“I’m in Love with My Car” talvez seja o exemplo mais famoso.

Mas existe outro registro que mostra sua voz de maneira particularmente bonita.

Não precisamos de Wembley.

Não precisamos de explosões.

Nem sequer precisamos de Freddie.

Precisamos apenas de:

Brian May.

Roger Taylor.

E uma música que Freddie deixou para eles.

Brian May & Roger Taylor · I Was Born To Love You · Live in Japan · 2005

Brian May pega um violão de 12 cordas.

Roger canta.

E de repente aquela música gigantesca fica pequena.

Ou melhor:

o arranjo fica pequeno.

A música fica enorme.

“I Was Born to Love You” nasceu na carreira solo de Freddie Mercury.

Depois da morte de Freddie, Brian May, Roger Taylor e John Deacon trabalharam sobre a gravação original e transformaram a música numa faixa do Queen.

Mas naquele palco japonês de 2005 acontece outra coisa.

Roger não tenta imitar Freddie.

Esse é o segredo.

Ele canta como Roger Taylor.

Há estrada naquela voz.

Há memória.

Há perda.

E há alguma coisa que apenas pessoas que atravessaram décadas juntas conseguem colocar numa música.

ANTES DO QUEEN, EXISTIA SMILE

Para entender Taylor completamente precisamos voltar antes do Queen.

Em 1968, Roger e Brian Harold May formaram o Smile com Tim Staffell.

Staffell acabaria deixando o grupo.

E um jovem amigo chamado:

Farrokh Bulsara

assumiria a frente.

O mundo o conheceria por outro nome.

Freddie Mercury.

Depois chegaria:

John Richard Deacon.

E a história tomaria uma direção relativamente conhecida.

Queen.

Mas existe uma característica extraordinária naquela formação que às vezes passa despercebida quando tudo gira em torno de Freddie:

os quatro escreviam.

Brian May escreveu grandes canções.

John Deacon escreveu grandes canções.

Freddie Mercury escreveu grandes canções.

Roger Taylor também.

Entre suas composições estão:

“Radio Ga Ga”.

“A Kind of Magic”.

“These Are the Days of Our Lives”.

Pense nisso por alguns segundos.

O homem que você vê destruindo a bateria no Live Aid também é o homem que escreveu “Radio Ga Ga”.

Aquelas dezenas de milhares de mãos batendo juntas em Wembley?

Parte daquele momento nasceu na cabeça do sujeito sentado atrás da bateria.

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THE CROSS

Quando o baterista resolveu ir para a frente

Roger ainda fez outra coisa curiosa.

Em 1987 criou The Cross.

E depois de décadas fisicamente instalado atrás do Queen, assumiu a posição de:

vocalista e frontman.

The Cross lançou três álbuns.

Excursionou.

Subiu a palcos.

E novamente mostrou que Taylor nunca pareceu particularmente interessado na ideia de escolher uma única função e permanecer nela até morrer.

Instrumentos, para ele, parecem ferramentas.

A música decide qual utilizar.

E ENTÃO APARECE UM CORO DA ÁFRICA DO SUL

O novo álbum guarda outra surpresa.

O Ndlovu Youth Choir, de Limpopo, África do Sul, participa de três faixas:

“A Beautiful World”.

“Come On Summer (It’s Party Time)”.

“A Great Big Beautiful World (reprise)”.

Roger conheceu o trabalho do coro depois de se impressionar com a versão em zulu que eles fizeram de:

“Bohemian Rhapsody”.

E decidiu convidá-los.

Isso amplia radicalmente a paleta do álbum.

De repente, uma obra escrita por um inglês de 77 anos, profundamente ligada ao rock britânico, ganha vozes vindas de Limpopo.

Exatamente o tipo de mistura que Roger Taylor parece gostar.

JOHN LENNON

E uma música que Roger não conseguiu deixar para trás

Há nove composições de Roger Taylor no novo disco.

E uma intrusa.

“Jealous Guy”.

John Lennon.

Roger poderia ter escolhido centenas de músicas.

Escolheu essa.

Ele a considera uma das maiores baladas já escritas.

Mas existe outra maneira de entender a escolha.

Basta ouvi-lo cantar.

Roger Taylor & Jools Holland · Jealous Guy · Later... with Jools Holland

Tire o estádio.

Tire as luzes.

Tire “We Will Rock You”.

Tire a bateria gigantesca.

Tire até o Queen.

Deixe Roger Taylor diante de uma canção de John Lennon.

E escute o que sobra.

A aspereza continua lá.

Mas agora carrega outra coisa.

Tempo.

A voz de Roger aos 77 anos evidentemente não é a voz daquele sujeito jovem que gravou “I’m in Love with My Car”.

Ainda bem.

Algumas músicas não pedem juventude. Pedem vida.

“Jealous Guy” é uma delas.

Roger não tenta cantar como Lennon.

Não tenta cantar como Freddie.

Ele canta como um homem que atravessou mais de cinquenta anos de palcos.

Amizades.

Perdas.

Excessos.

Despedidas.

Sobrevivência.

E talvez seja exatamente por isso que a música encontra espaço nesse disco.

BEATLES, ECLETISMO E A RECUSA EM FICAR NUMA CAIXA

Roger Taylor sempre demonstrou enorme admiração pelo ecletismo dos Beatles.

Especialmente quando a banda entrou em sua fase mais experimental.

Um disco podia passar de uma ideia para outra completamente diferente sem pedir desculpas.

Queen absorveu profundamente essa liberdade.

Hard rock.

Pop.

Ópera.

Disco.

Music hall.

Funk.

Heavy metal.

Balada.

Rockabilly.

Qualquer coisa.

A regra era aparentemente simples: se funcionar, entra.

Roger continua carregando essa filosofia para sua carreira solo.

Ele não parece interessado em fazer dez versões da mesma música simplesmente para que o disco tenha “coerência de gênero”.

A coerência é Roger.

A NASA ENTROU NESSA HISTÓRIA

Porque aparentemente esta matéria ainda não estava estranha o suficiente.

A capa de Violence Insane In A Beautiful World trabalha com uma ideia simples:

olhar para a Terra de longe.

Um planeta extraordinariamente bonito.

Aproxime-se.

E começam a aparecer os problemas.

Violência.

Conflito.

Destruição.

Enquanto a arte do álbum era finalizada, imagens recentes da Terra produzidas no contexto da missão Artemis II criaram uma coincidência visual curiosa com o projeto.

E NASA não é exatamente território desconhecido para o Queen.

Porque o sujeito que toca guitarra ao lado de Roger desde os anos 1960 é:

Sir Brian Harold May.

Guitarrista.

Compositor.

E:

astrofísico.

Porque aparentemente tocar daquele jeito não ocupava horas suficientes do dia.

ROGER AINDA QUER SUBIR NUM PALCO

Poucos dias depois do lançamento do álbum começa a turnê britânica.

21 de setembro — Newcastle.

Depois:

Edimburgo.

Birmingham.

Manchester.

Londres.

Swansea.

Na Roundhouse, em Londres, Roger volta a um lugar onde já apareceu como convidado do:

Foo Fighters.

A formação da turnê de 2026 reúne:

Roger Taylor — banda ao vivo 2026

Roger Taylor — vocal, bateria e instrumentos diversos.

Spike Edney — teclados.

Tyler Warren — bateria de apoio.

Tina Keys — multi-instrumentista.

Neil Fairclough — baixo.

Christian Mendoza — guitarra.

Observe uma coisa maravilhosa nessa escalação.

Roger Taylor vai excursionar com outro baterista.

É quase uma declaração.

Porque agora Roger pode fisicamente sair daquele lugar em que milhões de pessoas insistem em colocá-lo.

Atrás da bateria.

ELE NUNCA FOI APENAS O CARA ATRÁS DE FREDDIE

Talvez essa seja a verdadeira história escondida dentro da notícia de um novo álbum.

Não:

“Roger Taylor lança novo single.”

Isso cabe numa notinha.

A história é maior.

Freddie Mercury morreu em 1991.

John Deacon escolheu se afastar.

Brian May e Roger Taylor ficaram com uma responsabilidade bastante peculiar:

preservar Queen sem fingir que 1975 ainda está acontecendo.

E paralelamente Roger continuou escrevendo.

Cantando.

Tocando.

Produzindo.

Experimentando.

Fazendo discos.

Subindo a palcos.

E dizendo coisas que às vezes seria muito mais confortável não dizer.

A FOTO

Agora volte para o começo desta matéria.

Olhe novamente a fotografia.

Terno preto.

Gravata.

Chapéu.

Óculos escuros.

Barba branca.

Microfone diante do rosto.

Ele não parece um homem de 77 anos tentando desesperadamente parecer ter 27.

Parece Roger Taylor tendo absolutamente nenhuma necessidade disso.

E talvez essa seja uma das maiores liberdades que um músico possa conquistar.

Chegar ao ponto em que idade não é inimigo.

É matéria-prima.

MR. NOMAD'S FINAL NOTE

Roger Taylor poderia simplesmente viver do passado.

E ninguém teria direito de reclamar.

O passado dele inclui Smile.

Queen.

Freddie Mercury.

John Deacon.

Brian May.

Live Aid.

Wembley.

“Radio Ga Ga”.

“A Kind of Magic”.

“The Cross”.

Milhões de discos.

Milhões de pessoas.

Mas aparentemente isso não é suficiente para mantê-lo sentado.

Então ele escreve outro álbum.

Grava bateria.

Grava guitarra.

Grava baixo.

Grava piano.

Grava teclados.

Canta.

Chama um coro da África do Sul.

Regrava John Lennon.

E marca uma turnê.

Depois de mais de cinquenta anos, talvez a maior liberdade não seja poder fazer qualquer coisa.

Talvez seja:

não precisar mais provar quem você é. E ainda assim ter alguma coisa nova para dizer.

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Fontes e referências