
ROCK • HEAVY METAL • HISTÓRIAS • POLÊMICAS
As 10 maiores polêmicas da história do Rock — segundo votação popular
Galinha voando, morcego perdendo a cabeça, Metallica declarando guerra ao Napster, Lemmy colecionando encrenca, Montreal pegando fogo e uma sequência de histórias que provam uma coisa: às vezes o Rock precisava apenas de uma guitarra. Em outras, aparentemente precisava também de advogado, bombeiro e boletim de ocorrência.
Vamos estabelecer uma coisa antes de começar.
Isto não é uma lista dos “dez músicos mais perigosos da história”.
Também não é um tribunal.
É o resultado de uma votação popular sobre episódios que atravessaram a história do Rock e do Heavy Metal e continuam sendo discutidos décadas depois.
Alguns são absurdos.
Alguns viraram lenda.
Alguns foram crimes de verdade.
E alguns são tão inacreditáveis que, se fossem apresentados como roteiro para uma série, provavelmente alguém diria:
— Não. Exageraram.
Pois é.
Não exageraram.
E como a Passport Radio tem o péssimo hábito de abrir a porta quando encontra uma boa história...
ENTRA TODO MUNDO.
Só recomendamos retirar objetos inflamáveis da sala.
Principalmente quando chegarmos a Montreal.
10
ALICE COOPER E A GALINHA QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA SEM TER PEDIDO NADA DISSO
Começamos com Tia Alice.
1969.
Toronto Rock and Roll Revival Festival.
Alice Cooper ainda estava construindo aquela reputação delicada de sujeito que sobe ao palco e faz a família tradicional perguntar se o filho realmente precisa continuar ouvindo Rock.
Então apareceu uma galinha.
E aqui começa um dos grandes mistérios da humanidade.
QUEM COLOCOU A GALINHA ALI?
Segundo Alice, alguém da plateia jogou o animal no palco.
Ele pegou a galinha e, aparentemente recorrendo aos profundos conhecimentos de ornitologia disponíveis naquele momento, concluiu:
— Tem asas.
Logo...
VOA.
Não exatamente.
Alice jogou a galinha para a plateia e o episódio terminou de maneira terrível para o animal.
Depois vieram protestos de organizações de defesa dos animais e uma história que nunca mais abandonou a carreira do cantor.
Só existe um pequeno problema.
O baixista Dennis Dunaway contou outra versão: a banda estaria viajando com duas galinhas e uma delas teria acabado envolvida no episódio.
Ou seja:
Décadas depois, ainda temos Alice.
Temos Dennis.
Temos duas versões.
E temos a única testemunha que poderia esclarecer definitivamente o caso.
🐔 CÓ.
Obrigado.
Esclareceu bastante.
NO PLAYER: Alice Cooper — Clones (Live at Alexandra Palace).
09
SLIPKNOT E A VELHA PERGUNTA: UMA MÚSICA É RESPONSÁVEL PELO QUE ALGUÉM FAZ DEPOIS DE OUVI-LA?
Máscaras.
Macacões.
Percussão.
Guitarras.
Caos no palco.
No fim dos anos 1990, o Slipknot não entrou discretamente no Heavy Metal.
Arrombou a porta.
E, como aconteceu inúmeras vezes na história do Rock, não demorou para surgir uma pergunta muito conveniente:
A MÚSICA INFLUENCIA CRIMES?
Em 2003, o grupo acabou associado pela imprensa a um caso no qual duas pessoas teriam atacado violentamente um amigo depois de ouvirem “Disasterpiece”.
Em 2006, versos de “Surfacing” foram encontrados durante a investigação de uma violação de túmulo no Kansas.
O Slipknot não comentou os episódios.
Mas a discussão é muito mais velha do que Corey Taylor.
Já aconteceu com Heavy Metal.
Com Rap.
Com Punk.
Com videogame.
Com cinema.
Com histórias em quadrinhos.
Quando alguma coisa terrível acontece, sempre aparece alguém procurando um botão cultural simples que explique uma realidade complicada.
E aí a guitarra costuma entrar no banco dos réus.
🙄🍕
NO PLAYER: Slipknot — Surfacing — Live in London 2002.
08
OZZY OSBOURNE E A FASE EM QUE NINGUÉM DEVERIA ENTREGAR UM ANIMAL PARA AQUELE HOMEM
Senhoras e senhores:
O MADMAN.
O PRÍNCIPE DAS TREVAS.
Ozzy Osbourne construiu uma carreira tão cheia de histórias inacreditáveis que escolher apenas uma já seria injustiça.
Então temos duas.
Em 1981, numa reunião com representantes da CBS Records, Ozzy deveria participar de um gesto simbólico envolvendo pombas.
Bonito.
Paz.
Esperança.
Executivos sorrindo.
Fotógrafos preparados.
Até Ozzy decidir morder a cabeça de uma delas.
CERTO.
Um ano depois, em Des Moines, alguém arremessou um morcego no palco.
Ozzy acreditou que fosse de brinquedo.
Mordeu.
Não era.
Resultado: atendimento médico e tratamento preventivo contra raiva.
Existe uma lição aqui.
Se você estiver num show e vir Ozzy Osbourne no palco...
NÃO JOGUE FAUNA.
Obrigado pela colaboração.
NO PLAYER: Black Sabbath — War Pigs — The End.
07
RAMMSTEIN OU: “ACHAMOS UMA HISTÓRIA SOBRE CANIBALISMO. VAMOS FAZER UMA MÚSICA.”
Claro que vamos.
É o Rammstein.
Em 2004, a banda lançou “Mein Teil”, inspirada no caso de Armin Meiwes, condenado na Alemanha depois de um crime envolvendo canibalismo que ganhou repercussão internacional.
Richard Kruspe explicou que a composição nasceu também da tentativa de entender como uma pessoa poderia chegar àquele ponto.
A história já era perturbadora.
O Rammstein transformou aquilo em música.
Meiwes ainda tentou processar o grupo pelo uso de sua história.
E “Mein Teil” seguiu em frente, chegando inclusive ao universo do Grammy.
Imagine a reunião.
— Temos uma história de canibalismo.
— Pesada.
— Muito.
— Vai dar problema?
— Provavelmente.
— Então grava.
RAMMSTEIN. 🤣
NO PLAYER: Rammstein — Mein Teil — Völkerball.
06
METALLICA CONTRA NAPSTER: QUANDO LARS ULRICH VIROU O HOMEM MAIS POPULAR DA INTERNET
Mentira.
🤣
Virada do milênio.
Internet crescendo.
MP3 circulando.
Conexões discadas fazendo aquele barulho de robô engasgando.
E então surge o Napster.
De repente, milhões de pessoas estavam compartilhando músicas diretamente entre computadores.
Até que uma versão inacabada de “I Disappear”, do Metallica, começou a circular e chegou a emissoras de rádio.
O Metallica não achou graça.
Nem um pouquinho.
A banda entrou numa batalha jurídica contra o Napster, com apoio da RIAA, e também tomou medidas envolvendo universidades e usuários.
A posição do grupo era clara: artistas deveriam controlar a distribuição do próprio trabalho.
Parte do público ouviu outra coisa:
— O METALLICA QUER TIRAR MEU MP3.
E pronto.
A guerra estava declarada.
A discussão que parecia ser sobre uma empresa chamada Napster acabou antecipando uma questão que a indústria musical continua tentando resolver até hoje:
quanto vale uma música quando a tecnologia torna a cópia praticamente instantânea?
O Napster original desapareceu.
O compartilhamento mudou.
Vieram iTunes, YouTube, Spotify e streaming.
E a briga entre tecnologia, distribuição, remuneração e música?
Essa continua tocando.
NO PLAYER: Metallica — I Disappear — Live at Orion Music 2013.
05
LEMMY KILMISTER CONSEGUIA ENTRAR NUMA SALA E ARRUMAR UMA POLÊMICA ANTES DE PEDIR UMA BEBIDA
Ahhhhhhh...
SR. LEMMY. 😎
O homem que parecia ter sido fabricado numa usina clandestina de Rock and Roll.
Lemmy Kilmister, do Motörhead, colecionava objetos militares históricos e tinha particular interesse por peças da Segunda Guerra Mundial.
O problema é que entre esses objetos havia memorabilia nazista.
E quando Lemmy apareceu usando esse tipo de adereço numa sessão de fotos na Alemanha...
Bom.
A ALEMANHA PERCEBEU.
Vieram críticas e questionamentos.
Lemmy sempre negou qualquer identificação ideológica com o nazismo e dizia que seu interesse era histórico e estético, especialmente pelos uniformes.
Ele também rejeitava acusações de racismo.
Mas convenhamos:
se existe uma maneira de entrar numa discussão tranquila e silenciosamente...
LEMMY NUNCA DEMONSTROU INTERESSE NELA.
Ele preferia entrar com um baixo Rickenbacker ligado num Marshall e deixar todo mundo resolver o resto depois.
NO PLAYER: Motörhead — Ace of Spades — Live 2011.
04
NINE INCH NAILS, CIELO DRIVE E UM FILME QUE MUITA GENTE ACHOU QUE MOSTRAVA MORTES REAIS
Agora a luz diminui.
No começo dos anos 1990, Trent Reznor atravessava uma das fases mais sombrias do Nine Inch Nails.
Parte daquele período aconteceu numa casa da Cielo Drive, em Los Angeles, ligada ao assassinato da atriz Sharon Tate.
E então veio The Broken Movie.
Dirigido por Peter Christopherson e associado ao EP Broken, o curta apresentava violência fictícia extrema.
O material não recebeu lançamento comercial convencional.
Mas cópias começaram a circular.
E sem contexto, qualidade ruim e passando de mão em mão, surgiu o rumor perfeito:
SERÁ QUE ISSO É REAL?
Algumas pessoas chegaram a acreditar que estavam vendo um filme snuff.
Não estavam.
Mas o rumor foi suficiente para transformar o projeto numa das peças mais perturbadoras da mitologia do Nine Inch Nails.
E talvez exista pouca coisa mais anos 1990 do que uma fita misteriosa circulando sem explicação e alguém dizendo:
— Cara... eu acho que isso é de verdade.
NO PLAYER: Nine Inch Nails — Suck — Live.
03
METALLICA + GUNS N’ ROSES + MONTREAL: O DIA EM QUE ABSOLUTAMENTE TUDO DEU ERRADO
1992.
Metallica e Guns N’ Roses.
Na mesma noite.
O que poderia dar errado?
HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA.
Durante o show do Metallica em Montreal, James Hetfield ficou gravemente ferido num acidente com efeitos pirotécnicos.
A apresentação precisou ser interrompida.
O público ficou esperando.
Agora entraria o Guns N’ Roses para salvar a noite, certo?
...
Certo?
👀
O Guns demorou para começar.
Depois, a apresentação também terminou antes do esperado.
E uma arena cheia de gente que já havia esperado, visto o primeiro show acabar em acidente e agora assistia ao segundo terminar prematuramente decidiu demonstrar sua insatisfação.
De maneira muito civilizada.
MENTIRA.
Veio tumulto.
Depredação.
Saques.
Carros virados.
Incêndios.
Produtos da banda queimados.
Montreal ganhou uma noite que entrou para a história do Rock pelos motivos que nenhum promotor de eventos deseja colocar no material de divulgação.
E aqui temos uma raridade deliciosa:
A REPORTAGEM DA ÉPOCA.
Não é “meu primo disse”.
Não é fórum.
Não é “eu estava lá” escrito 28 anos depois.
Tem câmera.
Tem rua.
Tem caos.
Tem 1992 acontecendo diante de você.
NO PLAYER: Metallica & Guns N’ Roses — Montreal Riot TV News Report (1992).
02
VINCE NEIL: AQUI A HISTÓRIA PARA DE SER ENGRAÇADA
O Mötley Crüe construiu boa parte da própria imagem sobre excessos.
Mas existe uma enorme diferença entre histórias de hotel destruído e uma decisão que termina com alguém morto.
Em 8 de dezembro de 1984, Vince Neil dirigia depois de beber.
No banco do passageiro estava Nicholas “Razzle” Dingley, baterista do Hanoi Rocks.
Neil perdeu o controle do carro e houve uma colisão.
Razzle morreu aos 24 anos.
Outras pessoas ficaram feridas.
Vince Neil foi condenado por homicídio culposo no trânsito e cumpriu uma curta pena de prisão, além de enfrentar consequências financeiras.
Anos depois, o próprio Neil reconheceria publicamente que deveria ter passado muito mais tempo preso.
Aqui não existe personagem de Rock and Roll capaz de transformar a história em aventura.
Não existe “vida louca”.
Não existe glamour.
Existe um homem que bebeu, dirigiu e uma pessoa que não voltou para casa.
Razzle tinha 24 anos.
Isso basta.
NO PLAYER: Mötley Crüe — Dr. Feelgood — The End, Los Angeles.
01
MAYHEM: QUANDO A HISTÓRIA DO BLACK METAL DEIXOU DE SER TEATRO
E chegamos ao primeiro lugar da votação.
Mayhem.
Aqui também não adianta vestir a história com aquela fantasia confortável de “Rock perigoso”.
Porque houve consequências reais.
A cena do Black Metal norueguês do início dos anos 1990 ficou associada a episódios extremos que ultrapassaram completamente a provocação musical.
Em 1991, o vocalista Per Yngve Ohlin, Dead, morreu por suicídio.
Depois, uma fotografia feita após sua morte acabou circulando e foi usada numa capa não oficial ligada ao grupo.
Vieram também incêndios de igrejas associados àquela cena.
E então a história chegou a outro ponto sem volta.
Em agosto de 1993, Varg Vikernes, do Burzum e então ligado ao Mayhem, matou o guitarrista Øystein Aarseth, Euronymous.
Vikernes acabou condenado a 21 anos de prisão por homicídio e pelos incêndios.
Nesse ponto, qualquer discussão sobre “quem era mais extremo” perde completamente a graça.
A música continuou.
O Mayhem continuou.
O Black Metal continuou.
Mas aquelas mortes e crimes ficaram presos para sempre à história daquela cena.
NO PLAYER: Mayhem — Watchers — Live.
ESPERA.
Acabou?
Alice Cooper.
Slipknot.
Ozzy Osbourne.
Rammstein.
Metallica.
Lemmy.
Nine Inch Nails.
Guns N’ Roses.
Vince Neil.
Mayhem.
...
E VOCÊS CHAMARAM ISSO DE TOP 10?
🤣🤣🤣
Porque agora começou o problema da Passport Radio.
A gente olha uma lista dessas e imediatamente começa:
— Cadê fulano?
— E aquela história?
— E aquele show?
— E aquele sujeito que fez AQUILO?
— Aquilo conta?
— CONTA PRA CACETE.
Então talvez isto não seja o fim.
Talvez seja só o Volume 1.
😏
E PARA O GOOGLE QUE ESTÁ PASSANDO POR AQUI...
Oi.
🍕
Chega mais.
Senta.
Você trabalhou bastante.
Pode comer.
Maiores polêmicas do Rock.
Maiores polêmicas do Heavy Metal.
Polêmicas da história do Rock.
Alice Cooper galinha.
Ozzy Osbourne morcego.
Slipknot controvérsias.
Rammstein Mein Teil.
Metallica Napster.
Lemmy objetos nazistas.
Nine Inch Nails Broken Movie.
Guns N’ Roses Montreal 1992.
Metallica Montreal 1992.
Vince Neil Razzle.
Mötley Crüe acidente Vince Neil.
Mayhem Dead Euronymous Varg Vikernes.
Black Metal norueguês polêmicas.
Pronto.
🍕
Mais uma?
🍕🍕
Pode levar.
Tem borda recheada.
AGORA QUE O ROBÔ COMEU...
VOLTAMOS A ESCREVER PARA GENTE.
😎🍕
Porque existe uma diferença entre encontrar uma história e contar uma história.
Você pode empilhar palavra-chave.
Pode descobrir o que está subindo nas buscas.
Pode olhar tendência.
Pode escolher uma pergunta que todo mundo está fazendo.
Pode escrever “Top 10”.
Pode colocar número.
Pode descobrir exatamente quantas vezes precisa repetir determinado nome para uma máquina perceber que o texto fala daquele nome.
Tudo isso funciona.
Tudo isso tem utilidade.
Só existe um detalhe inconveniente.
DO OUTRO LADO TEM GENTE.
Gente não lembra de uma matéria porque ela tinha a densidade perfeita de palavra-chave.
Gente lembra:
DA GALINHA. 🤣
Do Ozzy achando que o morcego era de brinquedo.
Do Metallica declarando guerra ao Napster.
Do Lemmy entrando numa discussão com a delicadeza habitual de um amplificador Marshall caindo da escada.
Daquela noite inacreditável em Montreal.
E também lembra quando a brincadeira precisa parar porque alguém morreu.
Talvez seja por isso que contar história ainda seja um pouquinho diferente de alimentar algoritmo.
Mas tranquilo.
A gente deixou umas pizzas para ele.
🍕🍕🍕
E para quem eventualmente acredita que publicação musical deveria funcionar como condomínio...
Rock entra por aqui.
Metal entra ali.
Pop espera autorização.
Rap precisa mostrar documento.
K-pop aguarda análise.
Country somente em horário comercial.
🙄
Temos más notícias.
A PORTARIA DA PASSPORT ESTÁ ABERTA.
E aparentemente o porteiro foi ver o show.
ENTÃO QUAL É A MAIOR POLÊMICA DA HISTÓRIA DO ROCK?
Não sabemos.
E essa é justamente a graça.
Porque toda geração acha que encontrou o limite.
Elvis mexeu o quadril.
Os Beatles deixaram cabelo crescer.
Alice apareceu com uma galinha.
Ozzy encontrou um morcego.
O Heavy Metal foi acusado de corromper jovens.
O Rap virou inimigo público.
O Metallica processou o Napster.
E décadas depois estamos aqui discutindo tudo outra vez.
Só mudaram os nomes.
O medo.
A tecnologia.
E o tamanho da caixa de som.
O Rock nunca precisou ser comportado para sobreviver.
Mas também nunca precisou transformar tragédia em troféu.
Talvez a história inteira esteja justamente nessa fronteira.
Entre provocação e estupidez.
Entre personagem e pessoa.
Entre palco e vida real.
Entre a lenda divertida que atravessa cinquenta anos...
e aquilo que, quando as luzes se apagam, continua sendo simplesmente uma tragédia.
AGORA RESPONDA VOCÊ:
QUAL HISTÓRIA FICOU DE FORA?
Porque conhecendo o Rock...
a caixa de comentários provavelmente vai incendiar antes de Montreal.
🔥😎🍕
Passport Radio
Primeiro a história. Depois a música.