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Brian May

Aos 79 anos, Brian May encerra vida de turnês: “Talvez 50 anos na estrada tenham sido suficientes”

Mr. Nomad

Brian May

Brian May não está largando a guitarra. Também não está dizendo adeus à música. O que acabou, para ele, foi outra coisa: a vida de turnês.

Aos 79 anos, o guitarrista decidiu que já passou tempo suficiente vivendo entre aeroportos, hotéis, camarins e aquela rotina em que até voltar para casa por alguns dias pode virar um problema.

Em entrevista ao The Times, May contou que a decisão, na verdade, começou a ser tomada cerca de um ano e meio atrás.

Ele estava nos Estados Unidos quando um amigo próximo da família morreu. Brian pensou no que qualquer pessoa pensaria: voltar para casa por alguns dias e depois retornar à turnê.

Só que não era tão simples.

Ao avisar sua gerente de turnê, ouviu dela uma frase que aparentemente ficou martelando na cabeça:

“Você sabe que não pode fazer isso.”

E pronto. Às vezes não é um grande discurso que muda as coisas. É uma frase dessas.

Brian percebeu o tamanho da conta que vinha pagando para continuar na estrada.

Ele ainda gosta de tocar. Gosta de viajar. O problema, segundo ele, é o preço em liberdade que acompanha tudo isso.

Hoje há esposa, netos, família — e também a outra paixão daquele sujeito que, além de tocar guitarra no Queen, resolveu um dia terminar seu doutorado em astrofísica.

Depois de aproximadamente meio século vivendo de turnê em turnê, May chegou a uma conclusão bastante difícil de discutir:

talvez já tenha dado.

Isso não significa o fim do Queen

E aqui está a parte interessante.

Brian May continua pensando em maneiras de manter a música do Queen viva — só não necessariamente colocando novamente uma banda dentro de um avião para atravessar o planeta durante meses.

Uma das ideias nasceu depois de uma visita à Sphere, em Las Vegas.

May contou que saiu de lá inspirado a ponto de esboçar um espetáculo inteiro do Queen pensado como uma experiência imersiva. Não seria simplesmente repetir a solução do ABBA com avatares digitais. A intenção, segundo ele, seria fazer algo diferente, capaz de brincar com tempo, espaço e com a própria história da banda.

Só existe um belo elefante tecnológico no meio da sala: inteligência artificial.

Brian reconhece que um projeto desse tamanho dificilmente seria realizado hoje sem IA — e ele próprio tem sérias reservas sobre a tecnologia, especialmente sobre o impacto ambiental provocado pela infraestrutura e pelos data centers necessários para sustentá-la.

Ou seja: a ideia existe. A vontade também. A solução ainda não.

A guitarra continua

Talvez essa seja a melhor maneira de entender o anúncio.

Brian May não parece um músico anunciando aposentadoria.

Parece um sujeito de 79 anos olhando para uma vida extraordinariamente longa na estrada e finalmente dizendo:

“Agora eu quero escolher quando volto para casa.”

Depois de 50 anos de turnês, guitarras, palcos, aeroportos e hotéis, é difícil dizer que ele não conquistou esse direito.