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Bon Jovi

O Bon Jovi quase chamou Slippery When Wet de… Guns N’ Roses

Mr. Nomad

Bon Jovi

Imagina a cena.

Vancouver, Canadá.

Bon Jovi terminando o terceiro disco.

Jon Bon Jovi tinha acabado de fazer uma sessão de fotos promocionais com a banda.

Barbas.

Bigodes.

Sobretudos compridos.

Uma aparência meio caubói, meio “não faça perguntas sobre o que aconteceu no saloon ontem à noite”.

O álbum ainda precisava de um nome.

Aí Jon abre um jornal.

E encontra:

Guns N’ Roses.

Pronto.

Problema resolvido.

Ou quase.

Porque Jon Bon Jovi achou aquele nome tão bom que pensou seriamente em roubá-lo para o álbum.

Sim.

Antes de Slippery When Wet ser Slippery When Wet, existiu por alguns instantes a possibilidade de você entrar hoje numa loja de discos e encontrar na prateleira:

BON JOVI — GUNS N’ ROSES.

E em algum lugar dessa realidade paralela, Axl Rose provavelmente está bastante irritado.

O NOME ESTAVA NUM JORNAL

Jon contou anos depois que havia várias opções circulando enquanto o disco era finalizado.

Slippery When Wet não era a primeira.

Foi durante a temporada em Vancouver que apareceu aquela alternativa especialmente perigosa.

Ele estava lendo um jornal quando viu o nome de uma banda que tocava em bares:

Guns N’ Roses.

E pensou:

“Esse é um ótimo título para um álbum.”

Pior:

combinava perfeitamente com as fotos que o Bon Jovi tinha acabado de fazer.

Segundo Jon, todo mundo estava de barba ou bigode, usando aqueles sobretudos compridos, numa estética bem caubói.

Na cabeça dele, fechava tudo.

Músicas românticas.

Canções de caubói.

Aquelas fotos.

E na capa:

Guns N’ Roses.

...

Calma.

Ainda não acabou.

Porque havia OUTRO nome concorrendo.

Wanted Dead Or Alive.

Sim.

A música que acabaria entrando no próprio disco também poderia ter batizado o álbum inteiro.

Só que nenhum dos dois venceu.

AINDA BEM, NÉ, JON?

A parte maravilhosa dessa história só aparece quando você olha para o que aconteceu depois.

Aquela “banda de bar” cujo nome Jon encontrou no jornal?

Era aquela mesma.

Axl Rose.

Slash.

Duff.

Steven Adler.

Izzy Stradlin.

O Guns N’ Roses estava a aproximadamente um ano de lançar Appetite for Destruction.

Então imagine a confusão histórica se Bon Jovi tivesse chegado primeiro às lojas com um álbum chamado Guns N’ Roses.

O próprio Jon percebeu a bala que desviou.

Quando contou a história, resumiu:

“Felizmente para mim, não dei esse nome ao disco.”

Felizmente para você, Jon.

Felizmente para Axl.

Felizmente para as lojas de discos.

Felizmente para todo mundo que teria passado os 40 anos seguintes explicando essa porcaria.

E ENTÃO VEIO SLIPPERY WHEN WET

No fim, escolheram Slippery When Wet.

E aí a conversa mudou completamente.

O disco chegou ao número 1 em sete países e acumulou algo em torno de 28 milhões de cópias vendidas mundialmente.

Não virou simplesmente “o terceiro álbum do Bon Jovi”.

Virou o disco que explodiu a porta.

A produção ficou com Bruce Fairbairn, canadense escolhido por Jon depois de ouvir Without Love, segundo álbum do Black ’N Blue.

Na engenharia estava outro nome que depois apareceria em uma quantidade obscena de discos gigantes:

Bob Rock.

E ainda havia Desmond Child.

Ele participou de quatro composições.

Entre elas, duas musiquinhas discretas que talvez você já tenha ouvido por aí:

Livin’ On A Prayer.

e

You Give Love A Bad Name.

É.

Essas duas.

AGORA APERTA O PLAY

E já que chegamos até aqui falando de You Give Love A Bad Name, não vou colocar o clipe bonitinho na sua frente.

Vamos fazer direito.

Bon Jovi.

Tóquio.

1988.

Ao vivo.

You Give Love A Bad Name.

3...

2...

1...

CLICK.

Agora olha para Jon naquele palco.

Dois anos antes, ele estava em Vancouver lendo um jornal e pensando:

“Guns N’ Roses… baita nome para o nosso disco.”

Não usou.

Chamou de Slippery When Wet.

Vendeu milhões.

Transformou Livin’ On A Prayer e You Give Love A Bad Name em músicas que atravessaram gerações.

E deixou Guns N’ Roses disponível para aquela bandinha de bar usar.

Convenhamos.

Tem ideia ruim que envelhece maravilhosamente bem justamente porque ninguém teve coragem de executá-la.