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PASSPORT RADIO · FOO FIGHTERS · ROCK IN RIO 2026 · 03/09/2026

Foo Fighters volta ao Rock in Rio. Mas tire os olhos de Dave Grohl por alguns minutos.

Amanhã, 4 de setembro, a banda fecha o Palco Mundo. Todo mundo sabe para onde a câmera vai olhar. Mr. Nomad quer saber se você consegue ouvir quem está ao redor.

MR. NOMAD · MUSIC DNA2026-09-03

Dave Grohl levanta o braço.

A multidão responde.

É uma imagem quase automática do Foo Fighters: cabelo, guitarra, sorriso, grito, refrão e dezenas de milhares de pessoas devolvendo cada palavra.

Mas existe um problema com imagens automáticas.

Elas podem fazer você parar de ouvir.

Então amanhã, quando o Foo Fighters subir ao palco do Rock in Rio, faça uma experiência: tire os olhos de Dave Grohl.

RESPOSTA RÁPIDAO Foo Fighters é headliner do primeiro dia do Rock in Rio 2026, em 4 de setembro. A banda retorna ao festival sete anos depois e chega ao Brasil em uma nova fase, com Ilan Rubin na bateria. A pergunta da Passport não é apenas o que eles vão tocar: é como baixo, duas guitarras, teclados, bateria e voz ainda se encaixam para produzir uma identidade reconhecível em segundos.
Foo Fighters ao vivo em 2026, com Dave Grohl à frente e Ilan Rubin na bateria
Créditos: Passport Radio
01 · AMANHÃ

Quando o Foo Fighters toca no Rock in Rio 2026?

O Foo Fighters fecha o Palco Mundo nesta sexta-feira, 4 de setembro, na abertura do Rock in Rio 2026. Rise Against, The Hives e Nova Twins completam o Palco Mundo de um dia desenhado em torno de guitarras.

É o tipo de informação que você encontra em uma programação.

Mas uma programação não explica por que, depois de três décadas, bastam poucos segundos para muita gente reconhecer aquela banda.

Para isso precisamos abrir a música.

02 · O HOMEM QUE TODO MUNDO VÊ

Foo Fighters é Dave Grohl?

David Eric Grohl tornou-se uma das figuras mais reconhecíveis do rock moderno. Baterista do Nirvana. Cantor, guitarrista, compositor e fundador do Foo Fighters. Um sujeito cuja biografia já daria para engolir a matéria inteira.

Não vamos deixar.

Porque uma banda não é uma fotografia do vocalista.

Dave pode escrever, cantar, tocar guitarra e carregar uma presença de palco gigantesca. Mas quando o Foo Fighters cresce no palco, outras pessoas estão tomando decisões ao mesmo tempo.

Nate Mendel está no baixo. Pat Smear e Chris Shiflett ajudam a construir a massa e as diferenças de textura das guitarras. Rami Jaffee ocupa teclados e frequências que você pode sentir antes mesmo de conscientemente identificá-las. E, nesta fase, Ilan Rubin está sentado no lugar mais impossível da banda.

A bateria.

03 · NÃO É UMA CADEIRA

Quem toca bateria no Foo Fighters em 2026?

Ilan Rubin assumiu a bateria do Foo Fighters nesta fase da banda. Multi-instrumentista, ele chega com uma linguagem própria e com um problema que não se resolve imitando ninguém.

Taylor Hawkins não era simplesmente o funcionário responsável pelas baquetas.

Ele tinha ataque, balanço, personalidade, voz, presença e uma relação musical visível com Grohl. Depois de sua morte em 2022, qualquer baterista que entrasse naquele palco carregaria uma pergunta injusta nas costas: “você consegue ser Taylor?”.

A pergunta certa é outra.

O que Ilan Rubin faz quando deixa de tentar ocupar uma memória e começa a tocar a música?

Escute a caixa. Depois o bumbo. Depois perceba onde ele abre espaço para as guitarras e onde empurra o refrão para frente.

Não procure Taylor.

Procure Ilan.

04 · DESÇA UM ANDAR

Você realmente ouve Nate Mendel quando escuta Foo Fighters?

Agora tire a bateria por alguns segundos da cabeça e desça para o baixo.

Nate Mendel não precisa transformar cada música numa demonstração. Essa é justamente a armadilha. O baixo pode parecer invisível quando está fazendo o trabalho certo.

Procure o corpo abaixo das guitarras. Procure a ligação entre o bumbo e a harmonia. Perceba o que acontece quando a banda abre um refrão e aquele chão continua ali.

Se você só percebe o baixo quando ele para, talvez tenha acabado de descobrir o quanto estava ouvindo sem saber.

05 · TRÊS GUITARRISTAS NÃO PRECISAM SER TRÊS VEZES MAIS BARULHO

O que Pat Smear e Chris Shiflett acrescentam ao som?

Dave Grohl com uma guitarra já produz bastante informação. Coloque Pat Smear e Chris Shiflett ao redor dele e seria fácil transformar tudo numa parede sem portas.

O interessante está justamente nas portas.

Quem sustenta. Quem dobra. Quem colore. Quem abre uma frase. Quem deixa de tocar. Quem escolhe um timbre diferente para que três guitarras não virem uma única massa indistinguível.

É aí que “guitarra base” e “guitarra solo” deixam de ser etiquetas suficientes.

Uma banda acontece no espaço entre as funções.

06 · O CARA QUE VOCÊ PODE NÃO ESTAR OLHANDO

E Rami Jaffee?

Teclado numa banda conhecida por guitarras pode ser o instrumento que o público esquece de procurar.

Rami Jaffee é exatamente por isso uma peça deliciosa para nosso experimento.

Em vez de perguntar “onde está o teclado?”, escute atmosfera, sustentação, preenchimento e cor. Há momentos em que a melhor contribuição não chega na frente da mixagem. Ela muda a sensação do que está na frente.

Isso também é tocar.

07 · FAÇA O TESTE AO VIVO

Como ouvir Foo Fighters de outro jeito?

Escolha uma performance ao vivo. Não comece por Dave.

Primeiro bateria.

Depois baixo.

Depois Pat.

Depois Chris.

Procure Rami.

Só então volte para Dave.

E por último faça o contrário do que Mr. Nomad mandou durante a matéria inteira.

Pare de separar.

Junte tudo.

PASSPORT RADIO · LIVE LISTENING · FOO FIGHTERS
08 · EVERLONG NÃO É SÓ UM REFRÃO

Por que Everlong continua funcionando ao vivo?

Porque reconhecimento não é a mesma coisa que funcionamento.

Você reconhece a guitarra. Reconhece a voz. Talvez saiba exatamente quando o público vai explodir.

Mas experimente ouvir o que segura a música antes da explosão. O pulso. As camadas. A maneira como a dinâmica permite que o refrão pareça maior do que o segundo anterior.

Uma música enorme não precisa estar no máximo o tempo inteiro.

Ela precisa saber chegar lá.

09 · TAYLOR

É possível falar do Foo Fighters atual sem transformar tudo em ausência?

Tem que ser.

Honrar Taylor Hawkins não exige congelar a banda no último compasso que ele tocou.

Memória não precisa ser algema.

O Foo Fighters que chega ao Rio carrega o que viveu, o que perdeu e o que decidiu continuar fazendo depois.

E é justamente por isso que ouvir o músico que está tocando agora importa.

Não porque ele apaga quem veio antes.

Porque não apaga.

10 · ROCK IN RIO

O que observar no show do Foo Fighters no Rock in Rio?

Amanhã a câmera vai encontrar Dave Grohl centenas de vezes.

Quando isso acontecer, faça o contrário.

Olhe para trás.

Veja o braço de Ilan.

Procure Nate.

Veja qual guitarra Pat está segurando. Depois Chris.

Procure Rami.

E tente perceber o instante em que seis decisões individuais deixam de parecer seis decisões.

É nesse segundo que existe uma banda.

MR. NOMAD'S FINAL NOTE

Tire os olhos de Dave. Depois devolva.

Nômades, não existe crime algum em olhar para Dave Grohl.

O homem foi feito para palco.

O problema é olhar apenas para ele.

Amanhã, quando aquelas guitarras entrarem e a Cidade do Rock responder, façam nosso pequeno experimento.

Separem.

Ouçam cada um.

Descubram quem está fazendo o quê.

Depois devolvam tudo para a música.

E talvez o Foo Fighters que vocês já conhecem há décadas soe um pouco diferente.

Não porque a banda mudou naquele instante.

Porque vocês mudaram a maneira de ouvir.

Mr. Nomad

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