PASSPORT RADIO · MR. NOMAD · OSEES
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PASSPORT RADIO · OSEES · 31/08/2026

Por que Osees deixou San Francisco — e por que voltou à cidade em 2026?

John Dwyer chegou a San Francisco procurando uma cena. Anos depois, saiu quando aquela cidade começou a desaparecer diante dele. Em agosto de 2026, voltou para quatro noites no The Chapel — carregando músicas da época que se recusou a morrer.

MR. NOMAD2026-08-31

Antes de existir Osees, existia uma cidade onde um músico podia pagar um aluguel barato, trabalhar, formar bandas, tocar em salas pequenas e fracassar quantas vezes fossem necessárias até descobrir alguma coisa.

Essa cidade era San Francisco.

John Dwyer chegou em 1997.

Em 2013, foi embora.

Em agosto de 2026, voltou.

Thee Oh Sees ao vivo no KEXP
Créditos: Passport Radio
RESPOSTA RÁPIDAJohn Dwyer deixou San Francisco em 2013 depois de anos vendo o custo de vida subir e a gentrificação transformar a cidade e sua cena artística. Osees passou a operar a partir de Los Angeles, mudou de formação e continuou se reinventando. Em agosto de 2026, a banda retornou ao The Chapel, em San Francisco, para quatro noites consecutivas, de 26 a 29 de agosto, com Brigid Dawson de volta e um repertório fortemente ligado à fase criada na cidade.
01 · 1997

Como John Dwyer chegou a San Francisco?

Dwyer veio de Rhode Island para a Costa Oeste em 1997.

Não chegou com uma banda pronta para conquistar o mundo.

Chegou procurando músicos, lugares baratos e espaço para experimentar.

San Francisco ainda permitia isso.

O aluguel controlado e a rede de clubes, casas, porões e artistas davam tempo para uma coisa que hoje parece luxo: errar.

Foi nesse ambiente que o projeto que acabaria se tornando Osees começou a se transformar continuamente.

02 · QUANTOS NOMES UMA BANDA PRECISA?

Por que Osees mudou tantas vezes de nome?

OCS. The Oh Sees. Thee Oh Sees. Oh Sees. Osees.

Os nomes mudaram porque a música também mudou.

O projeto nasceu perto de gravações mais frágeis e experimentais, passou por garage rock, psicodelia e punk, atravessou krautrock, sintetizadores, hardcore e territórios de prog.

A única peça realmente imóvel é John Dwyer.

Todo o resto parece autorizado a sofrer mutação.

03 · A SAN FRANCISCO QUE ENTROU NOS DISCOS

Qual fase transformou Thee Oh Sees em banda cult?

No fim dos anos 2000 e início dos 2010, a formação com Dwyer, Brigid Dawson e outros parceiros da cena produziu uma sequência que ajudou a definir a identidade moderna do grupo.

Help. Castlemania. Carrion Crawler/The Dream. Putrifiers II. Floating Coffin.

As apresentações eram físicas.

Não havia distância confortável entre palco e plateia.

Era suor, volume, repetição hipnótica e a sensação de que uma música poderia sair dos trilhos sem necessariamente dar errado.

ARQUIVO PASSPORT RADIO · THEE OH SEES · THE DREAM · LIVE ON KEXP
04 · 2013

Por que John Dwyer deixou San Francisco?

Porque a cidade que ajudou a alimentar aquela cena estava ficando difícil demais para os próprios artistas que viviam nela.

O custo da moradia disparava. A gentrificação mudava bairros, espaços culturais e a composição da cidade.

Dwyer havia conseguido construir sua vida artística em parte porque teve acesso a aluguel barato.

Quando saiu para Los Angeles, em 2013, a mudança virou símbolo de uma discussão muito maior que uma banda.

O que acontece com uma cidade criativa quando as pessoas que criam não conseguem mais pagar para morar nela?

05 · LOS ANGELES

O que aconteceu com Osees depois da mudança?

A resposta curta seria: quase tudo.

A formação mudou novamente.

Tim Hellman assumiu o baixo. Dan Rincon e Paul Quattrone formaram a arquitetura de dois bateristas que transformou o impacto físico dos shows. Tomas Dolas acrescentou teclados e novas texturas.

E Dwyer continuou fazendo aquilo que sempre fez.

Recusou-se a estacionar.

A Weird Exits, Orc, Smote Reverser, Face Stabber, Protean Threat, A Foul Form e Intercepted Message parecem capítulos de bandas diferentes ligados pela mesma obsessão.

06 · BRIGID DAWSON

Por que a volta de Brigid Dawson importa?

Porque algumas vozes funcionam como endereço.

Dawson foi parte decisiva daquela fase de San Francisco. Seus vocais criavam um contraste estranho e perfeito com a agressividade de Dwyer.

Em 2025, ela voltou para apresentações com a banda em Los Angeles.

A experiência funcionou tão bem que Dwyer decidiu levar aquela versão de seis integrantes adiante.

Em 2026, Dawson não era apenas uma convidada nostálgica.

Estava novamente dentro da máquina.

07 · OFF COURSE

O que mudou no novo álbum do Osees?

Curiosamente, para avançar, eles recuperaram um método antigo.

Jam.

Mais jam.

Depois Dwyer levou as gravações para casa, desmontou o material, encontrou músicas dentro dele e voltou ao estúdio para registrar as bases ao vivo.

Tomas Dolas e Brigid Dawson entraram depois para completar a arquitetura.

OFF COURSE tem cinco faixas e recupera uma liberdade improvisatória que lembra momentos como A Weird Exits e Orc.

Depois de anos empurrando o grupo para formas cada vez mais agressivas, a nova música respira novamente.

08 · 26–29 DE AGOSTO DE 2026

Por que os shows no The Chapel foram diferentes?

Porque não eram apenas quatro datas numa agenda.

Eram quatro noites em San Francisco.

No The Chapel.

Na cidade que havia ajudado a fabricar aquela banda.

Osees tocou de 26 a 29 de agosto. Brigid Dawson participou do retorno. E o repertório puxou músicas profundamente ligadas à era de San Francisco.

I Come From the Mountain. I Was Denied. Tidal Wave. Crushed Grass. The Dream. Minotaur. Block of Ice.

Na última noite, em 29 de agosto, essas músicas dividiram espaço com fases mais recentes como Intercepted Message.

Não era uma banda fingindo que 2012 voltou.

Era uma banda de 2026 encarando aquilo que deixou para trás.

09 · A CIDADE

Osees voltou para San Francisco de verdade?

Geograficamente, não.

A banda continua identificada com Los Angeles.

Mas existe outro tipo de retorno.

Você entra numa sala, toca uma música que nasceu quando sua vida era outra e percebe que centenas de pessoas ainda sabem exatamente quando gritar.

Isso também é voltar.

10 · A PERGUNTA QUE SOBRA

Por que Osees ainda importa depois de tantos discos e formações?

Porque estabilidade nunca foi o produto.

Mutação foi.

O nome muda.

A formação muda.

A cidade muda.

O método muda.

Mas existe uma coisa que Dwyer não negociou: a banda precisa continuar parecendo perigosa para ela mesma.

Se ficar confortável demais, muda de direção.

John Dwyer chegou a San Francisco em 1997 procurando músicos.

Saiu em 2013 quando a cidade já não parecia oferecer aos artistas o mesmo espaço que havia oferecido a ele.

Treze anos depois, voltou ao The Chapel.

Brigid Dawson estava ali.

The Dream ainda estava ali.

A cidade era outra.

A banda também.

Talvez seja exatamente por isso que o retorno tenha feito sentido.

Você não volta para encontrar o lugar que deixou.

Você volta para descobrir o que sobreviveu.

Créditos: Passport Radio

Mr. Nomad

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