Algumas bandas terminam numa entrevista. Outras terminam numa briga. Babyshambles fez algo mais confuso: foi desaparecendo enquanto todos ainda sabiam exatamente onde encontrar Pete Doherty.
Então, onze anos depois, as músicas voltaram.
Mas Patrick Walden não.

Como Babyshambles começou?
Para entender Babyshambles, você precisa começar com outra banda.
The Libertines.
Pete Doherty e Carl Barât tinham construído uma daquelas amizades que parecem incapazes de separar criação e destruição. No início dos anos 2000, o relacionamento de Doherty com drogas, faltas, prisões e conflitos tornou a convivência impossível.
Em 2003, durante o afastamento de Doherty dos Libertines, Babyshambles começou a tomar forma em Londres.
Não parecia um plano de carreira.
Parecia uma porta lateral aberta no meio de um incêndio.
02 · PATRICK WALDENQuem era o guitarrista que marcou o primeiro Babyshambles?
Patrick Walden não precisava ocupar o centro do palco para alterar a temperatura de uma música.
Sua guitarra era nervosa. Instável. Às vezes parecia chegar um segundo antes do resto da banda e esperar que todos corressem atrás.
Ele fez parte da formação que ajudou a definir o primeiro Babyshambles e tocou no álbum de estreia, Down in Albion, de 2005.
Killamangiro. Albion. Fuck Forever.
Leia esses títulos novamente.
Não são apenas músicas de uma banda. Para uma geração britânica, são endereços.
Walden saiu durante aquele período turbulento. A formação continuaria mudando, como quase tudo ao redor de Doherty naquela época.
03 · A BANDA QUE SOBREVIVEU À PRÓPRIA MITOLOGIAQuem são os integrantes do Babyshambles?
A história do grupo atravessa várias formações, mas a espinha dorsal da reunião moderna reúne Peter Doherty na voz e guitarra, Mick Whitnall na guitarra, Drew McConnell no baixo e Adam Ficek na bateria.
Gemma Clarke, baterista da primeira fase, também permanece ligada à memória fundadora da banda.
Em 2007 veio Shotter’s Nation.
E ali estava Delivery.
Uma canção com o tipo de riff que entra pela porta antes de pedir licença.
Olhe para eles agora.
Não para 2005.
Agora.
A diferença é importante porque durante muito tempo o caos foi vendido como parte inseparável da experiência Babyshambles. Só que sobreviver ao caos talvez seja mais interessante do que reproduzi-lo.
04 · POR QUE BABYSHAMBLES PAROU?Não houve apenas uma razão
O terceiro álbum, Sequel to the Prequel, chegou em 2013. Depois da atividade de 2014, Babyshambles saiu de circulação.
Doherty voltou a trabalhar intensamente com The Libertines. Vieram outros discos, outros palcos, trabalhos solo, mudanças de vida.
Mas havia uma questão mais difícil.
Anos depois, falando sobre a reunião, Doherty explicou que a dependência era o ponto central. Ele e Mick Whitnall sabiam que reencontrar certas pessoas, em certas condições, poderia significar reencontrar também comportamentos dos quais tentavam escapar.
Às vezes uma banda não volta porque os músicos se odeiam.
Às vezes ela não volta porque eles querem continuar vivos.
05 · A REUNIÃO QUE PATRICK WALDEN DEVERIA VERComo Babyshambles voltou?
Havia conversa. Havia vontade.
E havia Patrick Walden.
O plano era que ele participasse do retorno.
Então Patrick morreu, em junho de 2025.
Doherty diria que a morte do antigo guitarrista foi um gatilho real para finalmente fazer a reunião acontecer.
Perceba a crueldade da frase.
A pessoa que deveria voltar com você se torna uma das razões pelas quais você não pode mais adiar a volta.
06 · KOKO, LONDRES · 15 DE DEZEMBRO DE 2025O que aconteceu no show que virou Live at KOKO?
A última noite da Dandy Hooligan Tour terminou no KOKO, em Camden.
Vinte músicas.
Killamangiro abriu a noite. Delivery veio logo depois.
E o passado começou a entrar no palco sem pedir autorização.
Carl Barât apareceu para What Katie Did, dos Libertines.
Depois veio Wolfman.
Babyshambles não tocava a música havia vinte anos.
Gemma Clarke, baterista original, voltou para tocá-la.
E Patrick Walden?
Doherty falou dele durante a noite. Disse, em essência, o que todo mundo ali já conseguia sentir: Pat deveria estar naquele palco.
Mas espere.
Existe uma diferença entre homenagear alguém e fingir que sua ausência foi preenchida.
Babyshambles não tentou preencher.
Deixou o espaço aberto.
07 · 2026Por que Babyshambles está de volta agora?
Porque a reunião funcionou.
Melhor do que o próprio Doherty esperava.
Em agosto de 2026, ele contou que tinha receio de que o público simplesmente não aparecesse. Apareceu. Cantou as palavras. A banda percebeu que aquelas músicas tinham continuado vivendo durante os onze anos em que seus autores não estavam juntos.
O retorno continuou por festivais e novas datas europeias.
E o show do KOKO ganhou uma segunda vida.
Live at KOKO está marcado para 9 de outubro de 2026 em lançamento digital pela Strap Originals, com edições físicas na sequência. Antes disso, um EP ao vivo com Killamangiro, Delivery, I Wish e Sedative já colocou quatro faixas daquela noite novamente em circulação.
Não é apenas documentação.
É a prova de que a reunião deixou de ser hipótese.
08 · E AGORA?Babyshambles vai gravar músicas novas?
A porta está aberta.
Doherty já falou sobre a possibilidade de uma nova música acompanhada de lados B e sobre levar ideias para a sala quando a banda estiver reunida.
Mas talvez a pergunta mais importante ainda não seja qual será o próximo single.
Talvez seja esta:
o que uma banda faz quando finalmente aprende a tocar as próprias músicas sem precisar repetir a destruição que ajudou a criá-las?
Babyshambles nasceu quando Pete Doherty precisava de uma saída.
Durante anos, parecia que o caos era o combustível.
Onze anos depois, eles descobriram outra coisa.
Era possível voltar sóbrios. Era possível tocar melhor. Era possível ver uma plateia inteira cantando músicas que ninguém tinha conseguido apagar.
Só não era possível trazer todo mundo de volta.
Patrick Walden deveria estar lá.
Não estava.
E talvez seja exatamente por isso que, quando Delivery começa novamente no KOKO, aquela guitarra soe como mais do que uma guitarra.
Algumas ausências fazem barulho.
— MR. NOMAD
Onze anos depois, a entrega finalmente chegou.
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