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PASSPORT RADIO · CLASSIC_ROCK · 25/08/2026

Maripool persiste no caos: rotten luck como afirmação

Seis anos de Smoking Room consolidam uma estética que transcende o indie rock. Maripool encarna essa genealogia sonora em lançamento que confirma o label como guardião de uma sensibilidade urgente.

PASSPORT RADIO2026-08-25

Seis anos de Smoking Room consolidam uma estética que transcende o indie rock. Maripool encarna essa genealogia sonora em lançamento que confirma o label como guardião de uma sensibilidade urgente.

01 · A insistência de uma estética

A insistência de uma estética

Quando Samuelito Cruz fundou o Smoking Room em 2020, estava fazendo mais do que lançar um label. Estava cristalizando uma posição. Não a posição de quem descobre novidades, mas de quem reconhece uma urgência sonora que merecia persistência. Seis anos depois, o histórico do selo fala claro: Ex-Pilots, TAGABOW, Draag, Smirk, Knifeplay. Nomes que formam menos uma discografia e mais uma tese sobre o que importa quando toda a competição sonic aponta para a precisão.

Maripool acaba de lançar "Rotten Luck" pelo Smoking Room. Há razões concretas para isso importar agora. Não porque seja raro um label indie apoiar seus artistas—é o esperado. Importa porque Smoking Room nunca se comportou como simplificador. Samuelito Cruz não apenas seleciona artistas; ele está imerso no mesmo trabalho que oferece ao mundo: toca bateria na Tony Molina Band e comanda o Toner, ambos projetos que compartilham a mesma recusa ao óbvio que caracteriza cada escolha do label. Quem cura com as próprias mãos não comete acaso.

02 · O rigor de permanecer

O rigor de permanecer

"Rotten Luck" funciona como confirmação dessa lógica. Não é apenas um álbum em um label competente. É uma afirmação dentro de um contexto estabelecido. Maripool entra em um catálogo que recusa concessões superficiais e se propõe, consistentemente, a explorar texturas que exigem escuta atenta. O fuzzy rock que o Smoking Room documenta não é nostálgia pela shoegaze oitentista nem revival calculado. É o que emerge quando gerações mais novas herdam aquela urgência e a traduzem em tempo real, com ferramentas de agora.

Esse trabalho de curadoria—a insistência de um label em uma direção pouco óbvia, durante seis anos, enquanto o resto do mundo persegue outras modas—é raridade. Smoking Room não é grande. Não ocupa manchetes constantes. Mas ocupa um lugar dentro de uma conversa que importa para quem ouve além do algoritmo. Maripool é o reflexo disso.

PASSPORT RADIO · EDITORIAL

Na Passport Radio, sabemos: a conversa que importa é feita de atos pequenos e persistentes. Maripool e Smoking Room continuam falando.